terça-feira, 9 de junho de 2009

David Mourão Ferreira

A sua última morada foi na Quinta da Bicuda.
Nasceu em Lisboa em 24 de Fevereiro de 1927 e morreu em Lisboa em 16 de Junho de 1996.
Foi poeta, romancista, crítico e ensaísta.
Depois de uma vida repleta de vivências deixou-nos uma obra maravilhosa da qual gostaria de destacar o poema Barco Negro. Este poema é letra de um fado com o mesmo nome interpretado pela saudosa Amália Rodrigues. Há também uma interpretação com muita força da Mariza e uma outra bem interessante do Ney Matogrosso:


De manhã, que medo, que me achasses feia!
Acordei, tremendo, deitada n’areia
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.
Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:
São loucas! São loucas!
Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz qu’estás sempre comigo.
No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta, no fogo mortiço;
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.








1 comentário:

  1. Gostei desta interpretação do Ney.
    Não posso negar que a Amália é um marco e que a Marisa tem uma carreira brilhante. Mas não esperava esta interpretação do Ney Matogrosso.
    Obrigado por ma dar a conhecer.
    Um abraço
    Bernardo Bettencourt

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